sexta-feira, 4 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Literatura de Cordel
NORDESTE
( do Livro "Poemas Nordeste")
"Meu Nordeste feiticeiro,
Morenão de bronze o peito,
Genuíno brasileiro,
Eu me sinto satisfeito
Em ser filho de um teu filho
E no chão por onde trilho,
Que venero com respeito.
Meu Nordeste das moagens
Nos engenhos de madeira,
Dos açudes, das barragens,
Da lavoura rotineira,
das desmanchas de mandioca,
Do foguete-de-taboca
Irmão gêmeo da ronqueira.
Meu Nordeste onde os velórios
São rezados no sertão,
E improvisam-se os casórios
(Sem juiz, sem capelão),
Os padrinhos e os compadres,
As madrinhas e as comadres,
Na fogueira de São João.
Meu Nordeste do bornal,
Rifle, bala e cartucheira,
Da "lombada" e do punhal,
da "garruncha" e da peixeira,
Do cacete e do facão,
Com que um cabra valentão
Desmantela festa e feira.
Meu Nordeste em rede armada
(De algodão ou de tucum),
Aguardando a maxixada
Com quiabo e jerimum,
Mel, canjica e milho assado,
Feijão verde e arroz torrado,
Na semana de jejum.
Meu Nordeste a boi de carro...
Carro-de-boi do Nordeste,
Tosco, humilde, simples charro,
Submisso e a nada investe,
Que, arrastando estrada afora,
Range, grita, canta e chora
Ajaujado à canga agreste. (....)
Hermes Vieira/Teresina/PI/Brasil
Foto de Carla Freire/Paraíba/Brasil
( do Livro "Poemas Nordeste")
"Meu Nordeste feiticeiro,
Morenão de bronze o peito,
Genuíno brasileiro,
Eu me sinto satisfeito
Em ser filho de um teu filho
E no chão por onde trilho,
Que venero com respeito.
Meu Nordeste das moagens
Nos engenhos de madeira,
Dos açudes, das barragens,
Da lavoura rotineira,
das desmanchas de mandioca,
Do foguete-de-taboca
Irmão gêmeo da ronqueira.
Meu Nordeste onde os velórios
São rezados no sertão,
E improvisam-se os casórios
(Sem juiz, sem capelão),
Os padrinhos e os compadres,
As madrinhas e as comadres,
Na fogueira de São João.
Meu Nordeste do bornal,
Rifle, bala e cartucheira,
Da "lombada" e do punhal,
da "garruncha" e da peixeira,
Do cacete e do facão,
Com que um cabra valentão
Desmantela festa e feira.
Meu Nordeste em rede armada
(De algodão ou de tucum),
Aguardando a maxixada
Com quiabo e jerimum,
Mel, canjica e milho assado,
Feijão verde e arroz torrado,
Na semana de jejum.
Meu Nordeste a boi de carro...
Carro-de-boi do Nordeste,
Tosco, humilde, simples charro,
Submisso e a nada investe,
Que, arrastando estrada afora,
Range, grita, canta e chora
Ajaujado à canga agreste. (....)
Hermes Vieira/Teresina/PI/Brasil
Foto de Carla Freire/Paraíba/Brasil
Vaca Estrela e Boi Fubá
Vaca Estrela e boi Fubá
Seu doutor me dê licença pra minha história contar.
Hoje eu tí´ na terra estranha, é bem triste o meu penar
Mas já fui muito feliz vivendo no meu lugar.
Eu tinha cavalo bom e gostava de campear.
E todo dia aboiava na porteira do curral.
íŠ ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
í´ í´ í´ í´ Boi Fubá.
Eu sou filho do Nordeste , não nego meu naturá
Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá
Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar,
Minha linda Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá
Quando era de tardezinha eu começava a aboiar
íŠ ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
í´ í´ í´ í´ Boi Fubá.
Aquela seca medonha fez tudo se atrapalhar,
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão esturricou, fez os açude secar
Morreu minha Vaca Estrela, já acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto tinha, nunca mais pude aboiar
íŠ ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
í´ í´ í´ í´ Boi Fubá.
Hoje nas terra do sul, longe do torrão natá
Quando eu vejo em minha frente uma boiada passar,
As água corre dos olho, começo logo a chorá
Lembro a minha Vaca Estrela e o meu lindo Boi Fubá
Com saudade do Nordeste, dá vontade de aboiar
íŠ ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
í´ í´ í´ í´ Boi Fubá.
Autor: Patativa do Assaré
Foto de Carla Freire/Paraíba/Brasil
Manguetown

Ha ha ha . . .
Tô enfiado na lama
É um bairro sujo
aonde os urubus têm casas
e eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa
aonde os urubus têm asas
eu Vou pintando, segurando as paredes
do mangue do meu quintal e Manguetown
Andando por entre os becos
andando em coletivos
ninguém foge ao cheiro sujo
da lama da manguetown
Andando por entre os becos
andando em coletivos
ninguém foge à vida suja
dos dias da manguetown
Esta noite sairei oh que?
eu Vou beber com meus amigos...
Ha!
E com as asas que os urubus
me deram ao dia
Eu voarei por toda a periferia
e Vou sonhando com a mulher
que talvez eu possa me-encontrar
E ela também vai andar no-que?
na lama-lá do meu quintal é
Manguetown
Andando por entre os becos
andando em coletivos
ninguém foge ao cheiro sujo
da lama da manguetown
Andando por entre os becos
andando em coletivos
ninguém foge à vida suja
dos dias da manguetown
Andando por entre os becos
andando em coletivos
ninguém foge ao cheiro sujo
da lama da manguetown
Andando por entre os becos
andando em coletivos
ninguém foge à vida suja
dos dias da manguetown
Fui no mangue catá lixo
pegar caranguejo
Conversar com urubu
Chico Science
Não basta libertar o homem de sua miséria econômica.
É necessário também libertá-lo de sua miséria afetiva,
de sua pobreza criativa e de sua incapacidade
de desfrutar o prazer de viver.
(Rolando Toro)
Foto de Carla Freire/Paraíba/Brasil
Amigos e suas .........ARTES
SAUDADE
Mas que solidão enorme desalinho
A tristeza vem com afiadas garras
Seu como bagaços de um fim de feira
Qual barco deserto que perdeu amarras
Minha vida foi, levou meu pensamento
Solitário bicho de fêmea distante
Contemplo farrapos de uma noite escura
Falta sinto desta abissal ausente
Onde estão teus olhos, fitam a lembrança
E teus beijos doces que me afogaram
Espantanto as mágoas dantes e da hora
Oportunistas agora elas se aproximam
Com o desalento e meu corpo chora...
Euripedes Gomes/Paraíba/Brasil
Foto: Haydée Lais/Paraíba
Mas que solidão enorme desalinho
A tristeza vem com afiadas garras
Seu como bagaços de um fim de feira
Qual barco deserto que perdeu amarras
Minha vida foi, levou meu pensamento
Solitário bicho de fêmea distante
Contemplo farrapos de uma noite escura
Falta sinto desta abissal ausente
Onde estão teus olhos, fitam a lembrança
E teus beijos doces que me afogaram
Espantanto as mágoas dantes e da hora
Oportunistas agora elas se aproximam
Com o desalento e meu corpo chora...
Euripedes Gomes/Paraíba/Brasil
Foto: Haydée Lais/Paraíba
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