segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Busca


Busca


Busquei a beleza
do por do sol
por toda vida
quando me entristecia
os últimos raios do dia
Ao amanhecer
em minha alegria fria
numa noite de sono,
sem os comentários
dos teus olhos


Riso Maria-S.Paulo-Brasil
Foto montagem de Carla Freire

domingo, 22 de novembro de 2009

Parabéns a RISO MARIA

Amigos e suas......ARTES



Visão

Archidy Picado Filho/João Pessoa/Paraíba/Brasil

Vivo no mais que perfeito presente
Que empurra a gente pra frente,
A de repente sentir-se passado
Como o pasto a passar no gado
Dentro da gente!

Olho o mundo onde tudo está vivo e morto,
Como o velho absorto em pensamentos serenos
A pensar em quão foi bom ter passado pela vida
Sem grandes tormentos.

E a moça em seu vestido de agosto
Tão esvoaçante quanto seu rosto deslumbrante
Desenhado evaporando em nuvens, distante,
Não sabe como está morto o avarento
E seu intento de querer ter tudo só para si, e só.

No fim – e agora é hora – também não restarão
Pensamentos ruins ou querubins,
E tudo será como antes, como é agora,
Em tempos próximos e distantes,
Sem demora.

Somos produtos de passados-presentes
A imaginar futuros-ausentes.

Foto de Carla Freire

sábado, 21 de novembro de 2009

VERGONHA


Fome

Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crónica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento.

O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos.


A subnutrição crónica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebés, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebés igualmente ameaçados. (Junho de 2002).


Utopias

Oficialmente as utopias estão mortas, mas a realidade que as alimentou e justificou durante séculos continua bem viva. As desigualdades em todo o mundo, desde o "triunfo" do liberalismo nos anos oitenta, são cada vez maiores. O esbanjamento de recursos nos países mais ricos está a conduzir a humanidade para a sua própria extinção. Como refere Peter Singer, bastava que nestes países, se deixassem de alimentar os animais domésticos à base de cereais e de soja, e estes alimentos fossem distribuídos pelos necessitados, para se pôr fim à fome no mundo.



Solidariedade

Centenas de milhões de pobres e famintos em todo o mundo apelam à solidariedade de todos aqueles que se afogam no consumismo e no desperdício.



Imagine

Imagine um mundo onde o agricultor têm que pagar, todos os anos, direitos de autor pelas sementes geneticamente modificadas que planta, o mesmo sucedendo ao criador de animais que foram geneticamente manipulados.

Futuro

Em 2050 a população mundial deverá ser de 9,2 bilhões e, se não mudar esse quadro, o número de famintos poderá atingir 1,3 bilhões.

Foto de Sebastião Salgado-Brasil

Permanecer



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade

POVO DE ANGOLA


POVO DE ANGOLA

Povo de Angola bate no tambor
E você agora tá aonde tô

Para isso acontecer
Fez chover A
Fez chover Z
Fez chover

Para isso acontecer
Deix'eu ver vô
Deix'eu ver você
Deix'eu ver

Valeu Zumbi
Axé

Poema de (Jorge Matheus)-Brasil

SONETO DO DESMANTELO AZUL




Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

Carlos Pena Filho/Brasil
Ftotgrafia de Carla Freire

Namastê