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terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Cercado

O cercado
De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó

Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado

De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias

Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado

Ana Paula Ribeiro Tavares

 

Nasceu no Lubango, Huíla, Sul de Angola, em 1952. É historiadora, tendo obtido o grau de Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A autora vem atuando em várias atividades ligadas à literatura e à história africana. Foi membro do júri do Prêmio Nacional de Literatura de Angola nos anos de 1988 a 1990 e responsável pelo Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica, em Luanda, de 1983 a 1985. Em 1999, publicou vários estudos sobre a história de Angola na revista "Fontes & Estudos", de Luanda.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bailarina Negra


Bailarina negra




A noite

(Uma trompete, uma trompete)

fica no jazz



A noite

Sempre a noite

Sempre a indissolúvel noite

Sempre a trompete

Sempre a trépida trompete

Sempre o jazz

Sempre o xinguilante jazz



Um perfume de vida

esvoaça

adjaz

Serpente cabriolante

na ave-gesto da tua negra mão



Amor,

Vênus de quantas áfricas há,

vibrante e tonto, o ritmo no longe

preênsil endoudece



Amor

ritmo negro

no teu corpo negro

e os teus olhos

negros também

nos meus

são tantãs de fogo

amor.

António Jacinto/Angola

sábado, 21 de novembro de 2009

POVO DE ANGOLA


POVO DE ANGOLA

Povo de Angola bate no tambor
E você agora tá aonde tô

Para isso acontecer
Fez chover A
Fez chover Z
Fez chover

Para isso acontecer
Deix'eu ver vô
Deix'eu ver você
Deix'eu ver

Valeu Zumbi
Axé

Poema de (Jorge Matheus)-Brasil

domingo, 14 de junho de 2009

MULHERES do MUNDO -ANGOLA

POESIA de ANGOLA


África escultural (I)

áfrica
da nudez plangente
dos braços nus dos embondeiros, silhuetando na noite
áfrica
a contemplar embevecida a imensidão dos oceanos
na lembrança trágica dos filhos deportados
áfrica
dos homens bêbados
arrastando os pés descalços
na terra sequiosa de vida
da mulher nua que se entrega para se achar
das barrigas dos meninos
barrigudos de fome
áfrica
do ritmo quente
do batuque e da farra
perdidos na noite
do canto triste dos poetas
dos seus poemas
escritos com sangue e suor de gente

acredito em ti
como a áfrica escultural dos homens
esculpindo a vida
na pedra da vida

(Raízes do porvir)
DOMINGOS FLORETINO-Poeta Angolano

Crianças do Mundo - ANGOLA

Namastê