terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sheryl Crow & Willie Nelson - Crazy

Distante



O que eu queria fazer
Anda distante de mim
O que eu queria sentir
Fugiu pelos meus poros
Nadando noutros braços
De rios de mares de lágrimas

Riso Maria Dersu

São Paulo, 05/10/2010
Foto de Carla Freire

Carly Simon - Nobody Does It Better

Humor

Se não falas



~ Poemas de Rabindranath Tagore ~

~ Se não Falas ~

Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Amigos e suas....ARTES


Da mesma Têmpera
.
Nunca soube separar minh’alma
de meu coração...
Sempre tive a sensação que os dois
vieram ao mundo fundidos um ao outro...
.
Quando um sorri, o outro se diverte; 
quando este chora, aquele(a) se desmancha
em lágrimas...
.
Marçal Filho
Itabira MG

Liberdade


Antes que a ideia de Deus esmagasse os homens, antes dos autos de fé, das perseguições religiosas da Inquisição e do fundamentalismo islâmico, o Mediterrâneo inventou a arte de viver. Os homens viviam livres dos castigos de Deus e das ameaças dos Profetas: na barca da morte até à outra vida, como acreditavam os egípcios. E os deuses eram, em vida dos homens, apenas a celebração de cada coisa: a caça, a pesca, o vinho, a agricultura, o amor. Os deuses encarnavam a festa e a alegria da vida e não o terror da morte. 

Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisição, antes dos massacres da Argélia, o Mediterrâneo ergueu uma civilização fundada na celebração da vida, na beleza de todas as coisas e na tolerância dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto é nosso e pertence-nos – por uma única, breve e intensa passagem. É a isso que chamamos liberdade – a grande herança do mundo do Mediterrâneo. 
(...) Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos. 

Miguel Sousa Tavares, in 'Não Te Deixarei Morrer, David Crockett '
Fotografia de Gregory Colbert

Namastê